Ecos do Vão da Serra: um conversa decisiva – deixamos o Vão da Serra

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Uma conversa inesperada em 1957 marcou a decisão que levou uma família a deixar o Vão da Serra e iniciar uma nova etapa em Tupaciguara.

Uma conversa decisiva — deixamos o Vão da Serra

Certo dia, à tarde, no ano de 1957, o Sr. Galdino — que eu também chamava de compadre — apareceu à beira do curral da Casa do Retiro e chamou por meu pai.

Permaneceu do lado de fora, sem apear do cavalo, enquanto meu pai ficou em pé, do lado de dentro.

Movido pela curiosidade, permaneci a uns vinte metros de distância, rabiscando o chão perto do mourão — aquela estaca de madeira fincada no solo para amarrar as reses, que, até recentemente, ainda permanecia ali, testemunhando a passagem do tempo.

O compadre, com um canivete na mão, cortou um ramo de arbusto e passou toda a conversa talhando aquele pedaço de madeira.

Eram compadres, amigos e companheiros. No entanto, naquele momento, a conversa não me pareceu amistosa. Foi essa a impressão que tive na inocência dos meus seis, quase sete anos.

Quanto tempo durou a conversa, não sei. Talvez uma hora. E o que ali foi tratado, se minha mãe chegou a saber, nunca comentou.

Encerrada a conversa, meu pai caminhou em direção à casa. Segui atrás dele.

Foi então que ouvi a decisão — quase uma sentença:

— Vamos nos mudar para a cidade.

Dias depois, estávamos em Tupaciguara.

Hoje penso que o isolamento e a lentidão com que o saber alcançava aquela região já inquietavam meus pais. Talvez não por uma consciência plenamente formada, mas por aquela intuição silenciosa que costuma habitar o coração dos pais, mesmo quando ainda muito jovens.

A conversa daquela tarde — tenha sido um desentendimento ou não — apenas tornou inevitável aquilo que talvez já estivesse amadurecendo em silêncio.

O Vão da Serra ficava para trás.

Para sempre.

Mas permaneceria eternamente em minha memória.

✒️ Nelson Abrille dos Santos
Autor de Vão da Serra – A Vida e Seus Mistérios


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