Do nascimento da vida às ideias
O que existe em comum entre o surgimento da vida e o nascimento de uma ideia?
Talvez a resposta esteja em uma palavra apenas: esforço – simples, mas de profundo significado.
Na semana passada abordei o surgimento da vida e do homem na face da Terra, sob a visão de Yuval Noah Harari, historiador e escritor, e de Carlos Bernardo González Pecotche, pensador e humanista.
Harari trouxe, na Parte 1 de Sapiens (2019):
“Há cerca de 14 bilhões de anos, a matéria, a energia, o tempo e o espaço surgiram naquilo que é conhecido como o Big Bang.”
Já Pecotche, em ensinamentos publicados na Revista Aquarius em 1935, descreve que as chamadas colônias atômicas iniciaram sua trajetória na própria matéria, participando, desde os primórdios da formação da Terra, do processo que daria origem às primeiras manifestações da vida (do livro Coletânea da Revista Logosofia – Tomo 2, 2005, p. 64).
E acrescenta (p. 65):
“As colônias mais laboriosas progrediram, evoluindo de um estado a outro, capacitando-se para desenvolver maiores atividades, e a mão divina permitiu que as raças que superaram seus esforços passassem do estado de pedra ao reino vegetal.”
Hoje, desejo destacar justamente a ideia do esforço presente no ensinamento. Segundo Pecotche, algumas colônias atômicas teriam evoluído do reino mineral até formas cada vez mais complexas de existência, culminando, após bilhões de anos, no surgimento do homem — um ser de extraordinária formação, com capacidade de pensar, aprender e criar.
Sobre o esforço, ensina González Pecotche anos mais tarde:
“As ideias não se apresentam se não são chamadas com a única linguagem que entendem. Essa linguagem é o esforço mental que fazemos para entender o que anelamos ou queremos. O esforço mental atrai a ideia, porque lhe oferece a oportunidade de manifestar-se; mas é essencial que você acostume sua vontade a manter-se ativa…” (Bases para sua Conduta, 1965).
Como se vê, o esforço aparece como elemento fundamental em toda a trajetória da vida: desde os estágios mais elementares da evolução até o surgimento das ideias que impulsionam o progresso humano.
Por isso, não basta permanecer sentado à beira do caminho aguardando resultados. Eles dificilmente chegarão por si mesmos.
A luta faz parte da vida. O esforço, consciente e perseverante, impulsionou e continua a impulsionar a evolução humana.
✒️ Nelson Abrille dos Santos | Autor de Vão da Serra – A Vida e Seus Mistérios
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