A história do fazendeiro que escolheu permanecer em sua própria terra.
FAZENDEIRO QUE PEDIU PARA SER ENTERRADO EM SUA PROPRIEDADE
Relato de Clóvis Aquino Barbosa (26/02/2026)
Nesta data de 26/02/2026, às 10h00, estive na referida propriedade que, há mais ou menos 80 anos, pertencia ao Senhor Antônio Ferraz, mais conhecido como Antônio Chicão, na região do Brejo Grande – Município de Itaguaru/GO.
Hoje pertence ao meu irmão João Aquino Barbosa (Jack), que sempre teve um bom coração e respeito pelas tradições, princípios e gratidão para com os mais velhos e aos bons feitos. Inclusive, como se pode ver na foto anexa, ele conserva intacta a residência onde o senhor Antônio Chicão viveu com sua família.
Relatou-me que adquiriu essa propriedade há mais de 40 anos, onde, com muito suor e dedicação, zelou desse patrimônio, no qual morou por longos anos com sua esposa, Maria Iraildes Moreira Barbosa (Tia Mariinha), cozinhando para peões e ajudando em várias outras atividades inerentes.
Houve momentos em que enfrentaram algumas dificuldades e quase tiveram que vender essa propriedade, envolta pela Serra do Guerrinha e banhada pelo Ribeirão Conceição do Brejo Grande, com sua nascente na referida serra, com águas cristalinas que correm sobre as pedras, formando pequenas cachoeiras e proporcionando um clima úmido e agradável; mas Deus, com toda sua bondade e poder, proporcionou forças e inteligência para encontrar as soluções, vencer os primeiros obstáculos e preservar seu tão sonhado patrimônio.
Disse que o primeiro comprador que apareceu naquela época difícil questionou a existência do túmulo ali na frente da sede, mas meu irmão, com a serenidade e naturalidade natas de sua conduta e postura, respondeu tranquilamente que aquele túmulo seria uma demonstração e comprovação de que esse lugar é tão bom que o ex-dono quis ser sepultado ali e que nunca lhe incomodou; ao contrário, transformou-se em seu melhor vizinho.
Quem teve algumas dificuldades iniciais para se adaptar a essa realidade relíquia foi sua esposa, que, no início, dava volta para não passar perto da lápide e, às vezes, pedia socorro às vizinhas para atravessar aqueles poucos metros e chegar à sua residência; mas, com a convivência tranquila e sem ser incomodada, tudo foi mudando gradativamente, e hoje, quando atravessa essa humilde construção, recorda com tranquilidade e gratidão que sempre teve um vizinho de longas datas, que sempre se manteve discreto, fiel e que tem certeza de que nunca irá lhes abandonar.
Para concluir meu relato, surgiu-me um questionamento: será que meu irmão havia lido o anúncio que o escritor e jornalista brasileiro Olavo Bilac redigiu a pedido de um amigo que queria vender o sítio, que ele também conhecia?
Veja os dizeres que constam nesse anúncio e imagine comigo: “Vende-se encantadora propriedade onde um extenso arvoredo canta os pássaros ao amanhecer. É cortada por marejantes e cristalinas águas de um belo ribeirão. E a casa nela existente é banhada pelo sol nascente e oferece as sombras tranquilas das tardes nas varandas”.
Passados alguns dias, o poeta se encontrou com o homem e perguntou a ele: “E aí, vendeu o Sítio?”. Ele disse: “Nem pensei mais nisso. Depois que li o anúncio, foi que vi a maravilha que eu tinha!”.
Concordam comigo? Assim termina uma história real que podemos comprovar in loco e desfrutar dessas maravilhas juntamente com o Jack.