Do carro de bois às motocicletas
Num dos trechos do meu livro Vão da Serra – A Vida e Seus Mistérios, menciono a admiração do Seu Toco pelos avanços tecnológicos – isso por volta de 1970.
Contava ele que, quando jovem, por volta de 1920, levava semanas para subir a serra com um carro de bois e percorrer os cerca de 40 km da fazenda até Araguari.
E então perguntava, com convicção:
“Como alguém pode achar que os tempos antigos eram bons?”
“Tempos bons são os atuais – viajo de Araguari a Anápolis em poucas horas ou falo por telefone, em minutos, com alguém do outro lado do mundo” – enfatizava ele.
Recentemente, trafegando numa via marginal muito conhecida em Goiânia, antes das oito horas da manhã, observei a movimentação frenética das motocicletas, parecendo um enxame de abelhas. Lembrei-me, então, daquela história do Seu Toco – passados mais de cinquenta anos.
Recordei também a observação de um amigo e fiquei imaginando: e se, de repente, cada motociclista surgisse conduzindo um automóvel?
Se isso acontecesse, o trânsito – que já é caótico – se transformaria em um verdadeiro pandemônio.
É preciso refletir sobre isso: a importância da motocicleta para desafogar o tráfego e agilizar tantas atividades do dia a dia – tanto para quem a conduz quanto para terceiros.
O condutor desse tipo de veículo – em sua maioria, profissionais que sustentam a vida sobre duas rodas – merece respeito da população. Ainda assim, alguns se comportam como se fossem infalíveis, desrespeitando a própria vida.
Enfim, da época do Seu Toco até os dias de hoje, os avanços materiais e tecnológicos foram fantásticos. Mas o avanço do homem rumo ao conhecimento da verdadeira vida, em regra, estagnou ou – talvez – tenha até regredido.
E você, já parou para pensar nisso?
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