O preço do improviso

Autor(a):

Quando adiamos decisões importantes, o improviso pode cobrar um preço alto no futuro

O que hoje resolvemos com improviso se transforma, amanhã, em um obstáculo que poderia ter sido evitado.

Vivemos como se esta etapa da existência terrena fosse infinita — sobretudo nas fases iniciais da vida física. Ocupados com as urgências do cotidiano, vamos deixando para amanhã — ou tratando de forma improvisada — as demandas materiais não rotineiras, que exigem um esforço aparentemente maior. E nem pensemos aqui naquelas que exigem uma reflexão mais profunda — as de natureza superior.

Seria essa uma forma silenciosa de tornar a travessia mais leve? A verdade é que, em algum momento, essa postergação será interrompida, de forma temporária ou até definitiva. E aí deparamos, quase sempre, com a dura realidade: algo que seria leve e simples, se cuidado a tempo, agora se transforma em um enorme obstáculo, muitas vezes intransponível.

O improviso, que aparentemente resolveu pequenas situações do cotidiano, agora cobra o seu preço.

Isso acontece nas relações humanas, nas famílias e também nas organizações que construímos ao longo da vida. Projetos inteiros podem ser afetados quando aquilo que parecia estável se vê, de repente, diante da ausência de quem os sustentava.

A vida nos convida constantemente a planejar o futuro, mas nem sempre nos preocupamos com os imprevistos – nem com o encerramento de um ciclo.

Se observarmos atentamente, veremos que grande parte dos conflitos nasce da falta de preparação nos momentos de normalidade. Assim, vamos deixando para mais tarde os cuidados com a saúde, com a organização patrimonial — seja familiar, seja empresarial —, para não falar na vida de relação e nas amizades.

Preparar-se para isso não supera as dores das perdas — nenhuma organização da vida humana tem esse poder. Mas as reflexões antecipadas podem evitar dificuldades desnecessárias para si e para os demais.

Talvez esse seja um dos aprendizados mais discretos da maturidade: compreender que algumas decisões, tomadas com serenidade enquanto tudo está em ordem, são uma forma de proteção individual e até social.

A vida é cheia de improvisos.
Mas há momentos em que a prudência silenciosa vale mais do que qualquer improvisação — porque muitas das dificuldades que enfrentamos surgem, sim, do que deixamos para depois.

✒️ Nelson Abrille dos Santos | Escritor e Consultor Jurídico

 

Um comentário em “O preço do improviso”

  1. Verdade, bem assim mesmo, a falta de conhecimento a inconsciência nos leva cometer muitos erros que não é fácil resolver. Gratidão sempre pelas valiosoas reflexões.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *