Por: Clóvis Aquino Barbosa – Estudante e pesquisador dos ensinamentos logosóficos.
A adolescência é uma das fases mais lindas e importantes de nossas vidas. É nesse período que se pode colher muito do que foi plantado na infância, em termos de vínculos, hábitos e valores. Mas também é a fase em que o ser humano apresenta maiores oscilações em seu comportamento, quando surgem ou se intensificam pensamentos que não eram tão evidentes antes, e o espírito, muitas vezes, se retrai diante da predominância do instinto.
Ainda assim, é um momento de continuar plantando — e plantando muito. Mas plantar o quê?
Fui um adolescente criado em um pequeno sítio nas redondezas de Itaberaí e Itaguari/GO, onde tive a alegria de concluir o primeiro grau, ou Ginásio, como se dizia na época.
Mesmo alimentando o pensamento de querer ser melhor e mudar o itinerário da minha vida, deixei-me levar por pensamentos de diversas índoles e, inconscientemente, embarquei de carona com muitos deles — pensamentos que quase me fizeram perder a essência de tudo o que havia recebido.
Minhas atividades eram trabalhar na lavoura, um serviço até certo ponto pesado para um adolescente, auxiliando no plantio e na colheita de diversas sementes. No entanto, eu não tinha a devida consciência da importância daquele aprendizado, nem percebia que a vida me oferecia uma grande oportunidade de extrair a sabedoria que a natureza estampava à minha frente. Muitas vezes, executava essas tarefas com insatisfação ou contrariedade, desperdiçando, por inconsciência, os grandes tesouros e ensinamentos que o contato direto com a natureza pode proporcionar. Ali, era possível observar como tudo se modifica, se transforma e se renova.
Por falta de informações, técnicas e conscientização diante do vasto universo de conhecimentos que se abria à minha frente — e que poderia ter servido de base sólida para minha vida — muitas oportunidades foram desperdiçadas. Eu realizava aquelas atividades com pouco entusiasmo e, às vezes, até com reclamações, por acreditar que deveria ter tido outras oportunidades.
O tempo passou e, em vez de cultivar gratidão por tudo o que recebi de meus pais, passei a alimentar pensamentos de queixa, atribuindo a eles a culpa por não terem podido me proporcionar uma vida melhor. Contudo, os trancos e barrancos que enfrentei por causa dessa ingratidão fizeram-me compreender, anos depois, que nada me faltou.
Hoje, como estudante de Logosofia há algum tempo, aprendo cada vez mais o valor de oferecer ao adolescente conceitos sólidos e elevados sobre a vida, o homem, a existência, as leis universais e Deus. Aprendo também a importância de aproveitar cada oportunidade para crescer em todas as etapas da vida, direcionando esforços para forjar um futuro seguro e merecedor — não apenas imaginado. A adolescência é uma etapa decisiva para formar o caráter, criar vínculos verdadeiros, cultivar sentimentos nobres e conhecer, gradativamente, a própria psicologia e os pensamentos que habitam a mente.
Se eu tivesse a oportunidade de reviver minha adolescência com os conhecimentos que possuo hoje, certamente seria muito diferente. Mas as leis universais, criadas para direcionar, sustentar e manter todos os pilares da Criação, são justas e imodificáveis — e não permitem voltar atrás.
Resta-me, então, contribuir para que as gerações futuras sejam melhores do que a minha, como orienta a sabedoria logosófica no livro Introdução ao Conhecimento Logosófico (pág. 252, § 5º):
“Conseguir que as gerações futuras sejam mais felizes que a nossa será o maior prêmio a que se possa aspirar. Não haverá valor comparável ao cumprimento dessa grande missão, que consiste em preparar para a humanidade futura um mundo melhor.”
Goiânia, 12 de fevereiro de 2026