Entre o carro de bois e o mundo digital

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Para chegar a essa selva de pedras – a cidade grande, Goiânia –, foi necessária aquela primeira viagem de carro de bois, levando a mudança da minha família para o Vão da Serra, e, depois, passar por um período de adaptação em Tupaciguara, no interior mineiro.

Hoje, adaptado ao trânsito caótico e à correria da cidade grande, sigo, porém, saudoso do meu tempo de infância e adolescência. Recordo com carinho as fazendas e também a vida interiorana; sinto necessidade de, eventualmente, “revisitar aquele tempo” – as trilhas e estradas, os cursos d’água, córregos e rios, as ruas calmas onde é até possível “ouvir o silêncio”. Disse “eventualmente” porque o barulho e o tumulto da cidade grande também já estão impregnados em mim.

Não cheguei ao ponto do que me disse certa vez uma amiga: “o ar puro me sufoca; sinto falta da fumaça dos ônibus!”, mas habita em mim esses dois mundos – o rural e o digital.

Para quem é mais jovem, talvez seja difícil imaginar como era viver num tempo sem internet, sem celular e sem pressa. No lugar das notificações, ouvíamos os animais e os pássaros; no lugar das lives, as conversas na varanda ao entardecer. Mas, acredite, cada época tem sua beleza – o importante é aprende as lições de cada uma.

Uns dirão que “aqueles tempos” eram melhores. Outros dirão que os dias atuais é que são bons. Mas, com certeza, precisamos aprender a viver o presente – ora com profundidade, como vivíamos antigamente; ora com velocidade, condição própria do mundo digital.

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Colabore com Nelson Abrille dos Santos – escritor e consultor jurídico.

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