Ecos do Vão da Serra: o parêntese se fecha. A travessia continua.

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O parêntese se fecha. A travessia continua.

Em meados de junho de 2026, abri pequeno parêntese nas publicações de Ecos do Vão da Serra. Inspirado em um ensinamento logosófico sobre o valor da espera, disse que aquele não seria um tempo de inércia, mas um período dedicado ao cultivo de novas ideias e ao avanço da escrita.

O parêntese acabou se prolongando um pouco além do previsto. Mas foi um tempo bem aproveitado.

Agora, retomo Ecos do Vão da Serra justamente com uma travessia: a saída da Fazenda do Vão e os primeiros anos de nossa família em Tupaciguara.

Era 1957. Eu tinha quase sete anos. Deixávamos para trás a vida na fazenda e seguíamos para um mundo que eu ainda não conhecia.

Depois que meu pai decidiu pela mudança, contratou em Araguari dois caminhões para transportar a família, a mudança e as provisões que levaríamos.

Durante vários dias, ficamos observando a estrada lá no alto da serra, esperando a chegada daqueles caminhões.

Certa manhã, com o reflexo do sol nas cabines, eles finalmente reluziram ao longe. Eram de cor vermelha clara e pareciam enormes aos olhos daquele menino.

Além das poucas tralhas da família, meu pai, por prevenção, lotou os veículos com sacas de arroz, feijão, milho, lenha e até animais: galinhas e cachorros.

As galinhas-d’angola, porém, ficaram para trás. Ariscas e difíceis de pegar, desapareceram pelos pastos na primeira tentativa de captura e não voltaram a se empoleirar nos lugares de costume.

Naquele dia, eu também deixava para trás o mundo ao qual estava acostumado.

Não sabia o que aquela mudança representaria. Apenas muitos anos depois compreenderia que aqueles dois caminhões não transportavam somente uma família e seus poucos pertences.

Transportavam-nos para uma nova etapa da vida.

A travessia estava apenas começando.

✒️ Nelson Abrille dos Santos
Autor de Vão da Serra – A Vida e Seus Mistérios


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