A vida em permanente construção
A pandemia da Covid-19 teve seus pontos negativos e positivos, tanto nos aspectos coletivos quanto individuais.
Pessoalmente, um aspecto que destaco foi o hábito que criei no período em que ficamos impedidos de circular: assistir a vídeos e, através deles, conhecer outras culturas e outras cidades, principalmente as mais antigas.
Acostumado a viver em uma cidade em construção – Goiânia –, fico admirando, principalmente, algumas cidades da Europa, onde parece que tudo está muito organizado — pelo menos nas imagens e nas aparências: ruas pavimentadas, limpeza, edificações preservadas e poucas intervenções visíveis.
Fiquei a refletir sobre isso.
Goiânia, por exemplo, vive o ruído das betoneiras, das demolições e dos guindastes, e isso produz desconforto. A poeira, o barulho e os transtornos, porém, fazem parte do preço da formação da cidade que existirá para as próximas gerações.
Ao contrário da capital goiana, muitas cidades da Europa e algumas do Brasil já passaram pela fase de intensa expansão urbana. Nelas, parecem predominar a conservação, as reformas discretas e o aproveitamento do espaço já construído. Isso permite aos moradores desfrutar de uma rotina urbana mais tranquila.
Há também pequenas cidades que parecem caminhar em outro ritmo — é o caso dos chamados povoados. Nelas, o silêncio substituiu o dinamismo, e as marcas do passado parecem mais presentes do que os sinais das modernidades.
Lembro ainda as grandes metrópoles que já perderam o ímpeto da construção, mas continuam marcadas pela intensa vida urbana que pulsa em suas ruas.
E ao refletir sobre as cidades, tracei um paralelo com a vida do ser humano. Nela também há períodos de barulho intenso, de construção, de transformação, de reformas e de maturidade. Mas também – embora não devesse – pode ocorrer a estagnação.
E você? Como está sua vida? Em qual dessas situações você se encaixa atualmente?
Está vivendo uma fase de construção, enfrentando os inevitáveis desconfortos das mudanças? Encontra-se em um período de amadurecimento, consolidando o que edificou ao longo dos anos? Ou, quem sabe, percebe que chegou o momento de retomar projetos e sonhos que ficaram parados no tempo?
Assim como as cidades, a vida também deve estar em permanente construção. Crescer, reformar-se, adaptar-se e seguir adiante parecem movimentos naturais.
Em outras palavras: evoluir, sempre.
✒️ Nelson Abrille dos Santos | Autor de Vão da Serra – A Vida e Seus Mistérios
Encontre meus e-books e livros na Amazon e em outras plataformas.