Crônicas Atravessado a Vida: Viajando no tumulto do trânsito

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Viajando no tumulto do trânsito: Onde mora a felicidade?

Na primeira quarta-feira de abril de 2026, por volta das dezessete horas, nas proximidades do Shopping Flamboyant, na capital goiana, parei no trânsito travado num cruzamento — sinal abre, sinal fecha, mas não anda.

Perguntando-me qual o sentido dessa modalidade de vida, vieram-me à mente breves reflexões sobre como caminhou a Humanidade ao longo das épocas até chegar aos dias atuais.

Viajei nas asas dos pensamentos e da imaginação. Lembrei dos diferentes modos de vida dos povos e suas comunidades — em solo goiano e em pontos mais distantes do Planeta.

Recordei, por exemplo, de um condomínio às margens do Rio Araguaia, na região chamada “Viúva”, onde o silêncio é interrompido apenas pelo gorjear dos pássaros; onde o tráfego maior é o das canoas e dos jet-skis nos feriados prolongados e nas férias.

Lembrei do povoado das Mangueiras, próximo a Turvânia, também em solo goiano, que conheci por vídeo recentemente. Ali, em torno de quarenta famílias vivem uma vida que muitos goianienses nem imaginam — um lugar onde a vida caminha devagar, em outro ritmo.

Lembrei também do Porto dos Barreiros, município de Araguari (MG), que faz parte das minhas memórias no livro Vão da Serra – A Vida e Seus Mistérios.

O sinal abriu. O trânsito avançou lentamente. As reflexões ficaram.

E assim, por horas e dias, continuei viajando pelo Planeta — lembrando de outras culturas que conheço apenas por vídeos.

Lembrei da Mongólia, um país entre a China e a Rússia, onde os mongóis ainda resistem à vida nômade, usando casas em estruturas circulares desmontáveis para se protegerem dos invernos rigorosos e do calor extremo no verão. Em vez de carros, o meio de transporte e ferramenta de trabalho é o cavalo, componente da identidade cultural daqueles asiáticos.

Lembrei do Estado de Montana, nos Estados Unidos, onde a média é de três habitantes por km² — não se fala em tumulto no trânsito. Se aqui a temperatura beira os 40 graus positivos, lá pode chegar a 40 graus negativos. E da vida no Tibete — marcada pela altitude extrema, clima rigoroso e simplicidade material.

Para quem está acostumado à fumaça dos ônibus e ao barulho da cidade grande, imaginar a vida em lugares remotos ao redor do mundo — em comunidades com baixa densidade populacional e economia de subsistência — parece algo distante e improvável.

Por outro lado, os povos que vivem em relativo isolamento geográfico — em vales remotos, em altas montanhas ou regiões de difícil acesso — certamente não conseguem imaginar o tumulto do trânsito, a poluição sonora e muito menos a vida em condomínios verticais. E nem falemos naqueles que a antropologia chama de “povos isolados”.

Mas voltemos àquela primeira quarta-feira de abril de 2026. Considerando todas as modalidades de vida observadas pelo mundo, que sentido tem viver a correria de uma cidade como Goiânia? O que esperamos? Sucesso? Felicidade?

Por certo, busca-se a felicidade no mundo externo e nos bens materiais. Mas e quem vive o silêncio de territórios vazios, ou enfrenta temperaturas extremas ou simplicidade material — sem dispor sequer de uma bicicleta, para não falar num carro — o que é sucesso? Onde mora a felicidade?

Talvez a felicidade não more num lugar específico — nem no tumulto de Goiânia, nem no silêncio do Araguaia, nem nas planícies da Mongólia, nem na altitude do Tibete. Talvez ela more dentro de cada um, independentemente do endereço.

✒️ Nelson Abrille dos Santos — Escritor Autor de Vão da Serra – A Vida e Seus Mistérios.

 

2 comentários em “Crônicas Atravessado a Vida: Viajando no tumulto do trânsito”

  1. Linda reflexão, tão verdadeira ! A felicidade, realmente, mora dentro de cada um de nós, inútil procurá-la fora. Haja vista que se fugirmos para longe de um dissabor, ele irá conosco, bem como as alegrias.
    Abraços ao autor e amigo.

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