O lugar permanece, o tempo não
Quando deixei Goiânia e voltei para Tupaciguara, em fins de 1966, levava comigo uma frase que ouvira de um tio. Em palavras que a memória conservou mais ou menos assim, ele aconselhava:
“Jamais retroceder no caminho; nunca retornar ao lugar de onde viemos.”
Naquela época, eu ainda não podia compreender inteiramente o alcance daquele conselho.
A vida, afinal, também é feita de voltas. Voltamos à cidade onde vivemos, à casa onde crescemos, aos lugares em que fomos felizes. Reencontramos pessoas e percorremos ruas que permaneciam guardadas na memória.
Mas o tempo acaba nos ensinando uma diferença importante: voltar a um lugar não significa retornar ao passado.
Quando voltamos, quase sempre procuramos aquilo que deixamos: as mesmas pessoas, os mesmos ambientes, talvez até as mesmas sensações.
E não encontramos.
Os lugares se transformaram. Relações que pareciam permanentes seguiram caminhos diferentes.
Alguns partiram; outros mudaram. E há uma mudança ainda mais silenciosa: já não somos os mesmos.
Talvez por isso certas lembranças devam ser preservadas sem a expectativa de serem reencontradas exatamente como ficaram em nossa memória.
Hoje compreendo de outra maneira aquele antigo conselho.
Não se trata necessariamente de nunca voltar.
Trata-se de compreender que o caminho percorrido pertence ao tempo. Podemos rever o lugar de onde partimos, conversar novamente com pessoas que fizeram parte de nossa história e até caminhar pelas mesmas ruas. Mas não retornaremos ao mesmo ponto da vida.
O lugar pode estar lá. O passado, não.
Ecos de Vão da Serra
✒️ Nelson Abrille dos Santos
Autor de Vão da Serra – A Vida e Seus Mistérios
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Excelente reflexão, estou buscando entender o que está acontecendo, mas confio que uma hora vai dar tudo certo. Gratidão sempre ❤️