Memória, pensamento e maturidade: o que aprendi com a escrita

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Durante muitos anos — antes de começar a registrar minhas memórias, em 2024 — pensei que escrever fosse apenas registrar fatos.
Com o tempo, percebi que escrever é algo muito diferente — e muito mais profundo.

A escrita transforma quem escreve.
Transforma a forma de pensar, de compreender e até de se expressar.

No meu caso, houve inclusive um avanço na expressão verbal.
Isso porque escrever exige ordenar pensamentos, escolher palavras e refletir antes de afirmar.
Quem aprende a organizar ideias no papel passa, gradualmente, a organizá-las também na mente.

Aos poucos, fui compreendendo que a escrita não é apenas um exercício didático.

Quando comecei a escrever Vão da Serra, tentei seguir uma ordem cronológica rigorosa.
Mas o texto não fluía.
A memória não respeita calendário.
Ela retorna, gira, aprofunda-se.

Em um livro de memórias, é legítimo recorrer a elementos da imaginação — não com a intenção de enganar o leitor, mas de dar forma ao vivido.
A memória permite uma recriação sensível. É interpretativa.
Funciona como recurso poético ou simbólico para dar vida aos sentimentos e preencher lacunas quando os detalhes já não estão nítidos.

Não se trata de inventar fatos, mas de preservar o espírito do momento.
Chamar a criança de “bichinho do mato”, como fiz em Vão da Serra, é expressão de emoção e significado — uma imagem simbólica que enriquece a narrativa.

Foi assim que encontrei uma forma de escrita conhecida como narrativa em espiral — não como técnica previamente planejada, mas como fidelidade à maneira pela qual as lembranças realmente se apresentam.

Antes de existir um livro, existiam apenas fragmentos:
anotações soltas, ideias dispersas, lembranças breves.
Nada parecia coerente.

Com o tempo, compreendi que escrever era reunir esses pedaços —
como quem reconstrói a própria história.

Um livro não nasce pronto.
Ele se forma a partir de insistência e organização.

Iniciei a escrita de um livro técnico em 1995, interrompi em 2005 e retomei essa atividade em 2023.
Mas foi ao escrever memórias que compreendi, de fato, o que significa escrever.

Escrever não é apenas dom.
É maturidade.
É tempo vivido.
É silêncio acumulado.

Hoje percebo que a escrita me ensinou a organizar pensamentos, a recordar e a compreender com mais clareza.
Não foi apenas produção literária.
Foi também formação pessoal — e, para mim, parte do processo de superação integral preconizado pela Logosofia.

A escrita, quando persistente, não transforma apenas páginas.
Transforma quem escreve.

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✒️ Nelson Abrille dos Santos – Autor de “Vão da Serra” – (62)99614-2025

Um comentário em “Memória, pensamento e maturidade: o que aprendi com a escrita”

  1. Excelente reflexão, faz muito sentido mesmo, eu comecei e depois parei, ainda não estou conseguindo organizar, mas não vou desistir. Muito grata pela ajuda

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