Como moedas, empresas e nações existem porque acreditamos nelas
Vivemos cercados por instituições que tratamos como reais, mas que existem apenas porque acreditamos nelas. E é dessa crença coletiva que nasce o comércio, a economia e até a ideia de sociedade.
Ontem, comentei em vídeo a relação entre confiança e sucesso nas diversas atividades humanas. O tema de hoje parece distinto, mas não é: trata da confiança do homem nas ficções que ele mesmo cria — e de como essa confiança sustenta o sucesso das entidades fictícias, sem que nos demos conta disso.
Segundo Yuval Noah Harari, autor de Sapiens – Uma Breve História da Humanidade, apenas o humano pratica o comércio. Por quê? A pergunta permanece aberta para outra reflexão.
Para Harari, o que diferencia os humanos é a capacidade de fazer milhões acreditarem em deuses, nações e pessoas jurídicas — isto é, entidades imaginadas.
Ao analisar essa perspectiva, percebemos que o comércio, tal como o conhecemos, não é apenas uma atividade econômica, mas um sistema milenar sustentado pela confiança em construções simbólicas como moedas, bancos e corporações. Confiar em estranhos é difícil; sem confiança, esse sistema simplesmente não existiria.
Curiosamente, passamos anos nos bancos escolares estudando economia, empresa, empreendedorismo, trabalhadores e mercado — mas raramente refletimos sobre o papel central dessas entidades fictícias.
Observamos os empreendedores enfrentando riscos e dificuldades, mas quase nunca lembramos que todos os envolvidos — empreendedores, consumidores, trabalhadores e fornecedores — participam de um sistema apoiado na confiança em ficções coletivas.
No Brasil, há uma exceção notável: o Estado. Também uma ficção, mas que, diferentemente das demais, não assume riscos — transfere-os.
Conclusão
Se toda a engrenagem social, econômica e jurídica repousa sobre a confiança em entidades imaginadas, então o verdadeiro risco não está apenas em empreender, comprar, trabalhar ou produzir — está em perder a capacidade coletiva de acreditar. Quando a confiança se rompe, não é apenas o comércio que desaba: é o próprio tecido social.
Por isso, compreender essas ficções e o papel que desempenham é essencial para que sejamos participantes conscientes, e não apenas peças de um mecanismo que funciona porque aceitamos acreditar.
✒️ Nelson Abrille dos Santos – Escritor e Consultor Jurídico
Gostei muito da abordagem, ampliou minha visão sobre o assunto.
Obrigado pelo apoio de sempre, Minéia!