O etarismo nos dias atuais

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Preâmbulo

O etarismo é uma forma silenciosa de preconceito que costuma ser aceito ou ignorado, mas seus efeitos são profundos. A seguir, apresento um breve conceito e algumas situações em que ele ocorre para sua reflexão.

O que é o etarismo?

Etarismo é o preconceito baseado na idade – pode afetar pessoas idosas, jovens e até crianças. Se manifesta por meio de atitudes, decisões ou expressões que desvalorizam alguém em razão da idade. Pode ocorrer desde comentários pejorativos até a exclusão em ambientes sociais ou profissionais ou de determinadas atividades.

O etarismo no mundo corporativo

No ambiente do trabalho – no chamado mundo corporativo, é comum que pessoas sejam descartadas por serem consideradas “velhas” para aprender ou “jovens demais” para assumir encargos. Isso fere a equidade de oportunidades e não leva em consideração que a competência não tem idade.

O etarismo na mídia

A representação de pessoas idosas na mídia ainda é marcada por estereótipos: frágeis, desatualizados, dependentes. É comum ouvirmos profissionais da imprensa falar em “coitadinho” – preconceito disfarçado de bondade. Essa visão reforça a imagem distorcida do envelhecimento e contribui para o preconceito social.

O etarismo na área da saúde

O etarismo também se manifesta no atendimento médico, onde os sintomas relatados por idosos são atribuídos apenas à “idade avançada” – o que pode mascarar diagnósticos importantes, reduzindo a qualidade do cuidado e o respeito à individualidade.

Na vida familiar e social

É comum que familiares e amigos deixem de envolver idosos em conversas, decisões ou atividades, como se fossem incapazes de compreender ou se interessar. Essa exclusão, mesmo sutil, contribui para o isolamento e o enfraquecimento dos laços afetivos.

O etarismo aparece na infância

O preconceito pode começar cedo. Crianças menores muitas vezes são excluídas por não terem idade suficiente para participar de certas brincadeiras ou decisões. Os pais e familiares devem estar atentos, pois, as crianças de cinco anos acima, excluem aquelas na faixa de dois anos. Isso mostra, desde cedo, que a idade define o valor do indivíduo – um pensamento que perpetua o preconceito.

Minhas vivências e observações

Em diferentes momentos, percebo como o etarismo sutilmente me alcança — seja em instituições, seja no convívio familiar e social.

Já passei dos setenta anos, sou consultor jurídico, enveredando para a atividade de escritor – atividades que exigem envolvimento com tecnologias: informática, internet, marketing digital etc.

No entanto, por vezes, sinto-me invisível em rodas de conversa ou tenho minhas opiniões subestimadas — especialmente quando o tema envolve tecnologia, redes sociais ou mesmo assuntos técnicos profissionais, nos quais detenho conhecimento acumulado em anos de atividade.

Uma coisa eu afirmo: os que me excluem são jovens, porque são menores de quarenta anos. Porém, são mentalmente velhos, presos desde cedo a uma visão limitada e preconceituosa.

Muita gente do meu grupo etário parou no tempo após a aposentadoria – ficou na “esquina da vida”, desatualizada e esquecida. Em parte, por culpa deles próprios.

Isolar os mais velhos, chamá-los de ultrapassados ou descartáveis é fácil. Mas é preciso admitir que sem o seu conhecimento e esforço não teríamos chegado até aqui.

O etarismo é um tiro no próprio pé: ao desprezar os experientes e sua experiência, perdemos histórias, saberes e soluções que só o tempo ensina. Agora, reflita e me responda: a continuar assim, como será o mundo daqui a 30 anos?

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Colabore com o autor
Nelson Abrille dos Santos é escritor e consultor jurídico.

4 comentários em “O etarismo nos dias atuais”

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