A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E O CÉREBRO HUMANO

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A Inteligência Artificial e o cérebro humano.

O que é a Inteligência Artificial ou IA?

Ela pode ser comparada ao cérebro humano e à memória?

Ela consegue imitar a Inteligência Humana?

Trarei neste texto, de forma bem simples, o que alcancei compreender sobre a Inteligência Artificial, iniciando por compará-la a uma Enciclopédia, tomando como exemplo a famosíssima Barsa.

Quem se lembra da Enciclopédia Barsa?

A Barsa brasileira foi idealizada em 1959, por Dorita Barrett, herdeira da família Barrett, detentora da Enciclopédia Britânica, desenvolvida por um corpo editorial brasileiro formado, dentre outros, pelo enciclopedista e tradutor Antonio Houaiss, o escritor Jorge Amado, o arquiteto Oscar Niemeyer e o jornalista e escritor Antônio Callado como o redator-chefe da primeira edição. Barret acreditava que simplesmente traduzir a Britânica não seria suficiente para o público brasileiro, iniciando um projeto mais voltado ao público local. Até então, no mercado brasileiro só era possível encontrar enciclopédias em inglês, alemão ou francês. Dorita, vivendo no Brasil, recusou a ideia de promover uma tradução, para o português, do original (a Enciclopédia Britânica). A primeira edição veio em março de 1964 e a leva inicial, de 45 mil exemplares, esgotou-se em 8 meses. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Barsa).

Ao pesquisar na internet encontrei uma informação de que a Barsa pode ser encontrada na versão clássica, em papel e também em formato digital. No entanto, salvo equívoco, não há o produto à venda em nenhuma plataforma, nem no site da Editora Planeta Brasil Ltda., que atualmente administraria a sua versão digital.

A Barsa era, antes do advento da internet, uma das principais referências de consulta para informações organizadas e sistematizadas. Sua estrutura foi planejada para oferecer informações de forma lógica e clara, porém, não acessível a todos em razão do preço.

Recordo dos tempos áureos da Barsa, nas décadas de 70 e 80, vendida de porta em porta, trazendo a organização das informações e dos fatos relevantes de A a Z ao redor do mundo, envolvendo questões das mais variadas áreas.

É indubitável a relação entre a IA e a Barsa, pois, ambas servem para armazenar, organizar e disseminar as informações, preservando-as.

A IA tem a missão de tornar o conhecimento acessível, o fazendo de forma mais dinâmica e personalizada, indo além do formato estático da enciclopédia; a IA oferece respostas adaptadas às demandas específicas do usuário.

Enquanto a Barsa representava um marco no acesso ao conhecimento segundo a tecnologia disponível à época, em formato de livros e, portanto, fechado, a IA representa um avanço, oferecendo um conhecimento (quase) ilimitado e atualizado a cada segundo, de fácil acesso.

A Barsa depende ou dependia da colaboração humana direta (editores, escritores e pesquisadores) enquanto a IA utiliza bancos de dados onde as informações são processadas constantemente.

Enquanto a enciclopédia é um repositório (arquivo) organizado, mas estático, a IA interage, dialogando e adaptando suas respostas às demandas do usuário.

A Barsa exige que o leitor analise e interprete as informações às suas necessidades. Já a IA além de “recordar” o histórico da pessoa, ajusta o conteúdo na medida que também recolhe as informações do usuário; ou seja, ela “conversa” com ele. E nisso reside, na minha modesta compreensão, um mal: essa facilidade vai inibindo a capacidade humana de observar, analisar, refletir e de pensar.

Nesse “conversar” a IA guarda semelhança com a Wikipédia, onde o usuário pode visitar, editar e atualizar as informações. A diferença é que, na Wikipédia, podem ser inseridas informações incorretas ou enviesadas (que poderão ser corrigidas no futuro), enquanto a IA dispõe de um filtro ativo, mais rigoroso e ágil.

Segundo a própria IA (ChatGPT) “a Barsa, com suas páginas densas de sabedoria, era como um ‘templo do conhecimento’ físico, onde cada consulta era quase um ritual de aprendizado. Já a IA trouxe um dinamismo extraordinário, como se esse ‘templo’ estivesse ao alcance de todos, a qualquer momento, no bolso.”

E a relação da Inteligência Artificial com a Inteligência Humana? Muitos pensam que a IA pretende imitar a Inteligência Humana, mas isso, no momento, não é verdade.

Atualmente a IA cria modelos que imitam o comportamento do cérebro humano. Sobre esse assunto, transcrevo aqui a introdução do artigo “Simulando o cérebro humano com a IA e neurociência” de 27/02/2023 – Shelly Jones, versão atualizada em 02/01/2025:

O cérebro humano, um órgão complexo e poderoso, há muito é objeto de fascínio e estudo. A jornada para imitar o cérebro humano está preenchendo a lacuna entre a inteligência artificial e a neurociência. A interseção da IA e da neurociência traz consigo possibilidades empolgantes, bem como desafios éticos.” https://webmedy.com/blog/pt/human-brain-ai-neuroscience/

Falta-me elementos para aprofundar nesse aspecto. Me arrisco a dizer apenas que pode estar ocorrendo, nos artigos e publicações em geral, uma certa confusão entre o cérebro humano e a mente humana.

Para González Pecotche, criador da Ciência Logosófica, memória e inteligência são coisas distintas. Para Ele, memória é uma célula cerebral que, às vezes, se esgota com o excesso de trabalho ou o avanço da idade física, limitando a capacidade humana de recordar.

Por enquanto, a IA está restrita a imitar o comportamento do cérebro humano e fazendo o papel da memória, tal como as bibliotecas, dentre elas a Barsa, veem fazendo ao longo dos tempos.

Porém, a IA, com suas opções gratuitas, o faz de modo mais democrático, interativo, imediato e acessível.

Lembro que na minha adolescência, se alguém dissesse que teríamos, no ano 2020, um pequeno dispositivo que poderia substituir o telégrafo, o telefone e a televisão, ao mesmo tempo que incorporaria tecnologias futuristas, seria chamado de louco. Era algo inimaginável na década de 60.

Com esse lembrete, fica para sua reflexão: a IA poderá, no futuro, imitar a Inteligência Humana?

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