Paineira Velha – marcas na infância

Autor(a):

Vão da Serra – A vida e seus mistérios –

A música “Paineira Velha” e as marcas mente infantil

Escrevendo minhas memórias com o título provisório de “Vão da Serra – A vida e seus mistérios” encontrei numa das curvas do tempo o segundo imóvel onde moramos na cidade de Tupaciguara (MG), em meados de 1957, situado na “rua da buracada”.

O apelido da rua surgiu porque era um dos acessos à olaria conhecida como “buracada”, nome dado em razão das condições do terreno de onde se extraía o barro para a fabricação dos tijolos.

Recordei as escaladas e tombos das frutíferas e o vasto quintal, os arranhões das primeiras tentativas de equilibrar numa bicicleta, de tamanho inadequado para os meus seis ou sete anos.

Recordo que quase todas as tardes ouvia pelo aparelho de um vizinho, sempre ajustado no volume máximo, sintonizado em um programa da Rádio Tupaciguara, a música sertaneja “Paineira Velha” de Zé Fortuna & Pitangueira, uma dupla sertaneja.

Parte da letra e até a melodia ficaram gravadas em minha mente, como ensina o humanista González Pecotche (1901–1963) sobre a infância: “A mente da criança é terra virgem e fértil” e “A mente infantil é sensível por excelência, gravando de forma quase indelével as imagens que os adultos nela plasmam como sugestões”.

Descrevendo aquela época recordo, como se voltando no tempo, as primeiras linhas da letra que assim diz: “Paineira velha, abandonada, lá na estrada de meu sertão; eis uma história do meu passado, que está guardada no coração…”.

A letra é uma profunda reflexão sobre a passagem do tempo e se conecta com as minhas memórias.

Através da metáfora o autor da letra explora a passagem do tempo e as marcas que ele promove nas nossas vidas e na natureza.

A paineira, que cresceu e floresceu simboliza o ciclo natural da vida, desde o nascimento, crescimento, transformações, envelhecimento e a morte.

O tempo apaga muitas das nossas experiências, sejam físicas ou psicológicas tal como a casca da paineira, na letra da música, fez desaparecer o nome da amada gravada no tronco.

Analogicamente à paineira que ofereceu sombra e conforto aos boiadeiros ao longo dos anos, a nossa existência se perpetua e se consubstancia na vida daqueles que nos cercam, resistindo ao tempo, às perdas e às transformações.

O e-book “Vão da Serra – A vida e seus mistérios” guarda alguma relação com a letra da “Paineira Velha” e nele o meu propósito é também inspirar o leitor a desvendar os mistérios que envolvem sua trajetória de vida, bastar-se e superar-se com seus próprios recursos.

2 comentários em “Paineira Velha – marcas na infância”

  1. Me trouxe na memória quando criança por volta de 1967/68 quando estávamos de mudança para Goiânia.
    Era uma madrugada de lua Clara e meus pais com maior sacrifício para colocar os cacos no caminhão.
    Erasmo 8 todos pequenos nenhum dava conta de ajudar e como sempre sobrava pra Rosângela o cargo de cuidadora.
    E quando o livro sair do forno eu quero um

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