Ecos do Vão da Serra – quando o esforço abre uma porta

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Quando o esforço abre uma porta

Era 3 de janeiro de 1966.

Chovia em Goiânia quando cheguei ao endereço onde havia uma oferta de emprego. Fui o primeiro candidato. Para me proteger da chuva, fiquei sob o beiral, encostado à porta.

Quando ela se abriu, quase “caí nos braços” do proprietário do escritório, o Sr. Hélio Lacerda de Souza.

Fui entrevistado e, logo depois, colocado diante de alguns livros para registrar notas fiscais. Pensei que estivesse contratado. Mas não tinha certeza.

Enquanto trabalhava, outros candidatos continuavam sendo entrevistados.

Horas depois, veio a explicação: havia apenas uma vaga, e ela seria destinada a outro candidato, que apresentava melhores condições que as minhas.

Mas o Sr. Lacerda acrescentou algo inesperado: abriria uma segunda vaga para me contratar.

Considerara meus conhecimentos de escrituração fiscal e minha caligrafia, mas havia observado também outro detalhe: o esforço que eu fizera para chegar até ali, sob chuva.

Muitos poderiam chamar aquilo de sorte. Hoje, olhando à distância, vejo de outra maneira.

Naquele dia, aprendi uma lição que me acompanharia pela vida: o esforço nem sempre produz resultados imediatos, nem garante que todas as portas se abram.

Mas há momentos em que alguém percebe aquilo que fazemos antes mesmo de conhecermos o resultado.

E uma porta, que parecia não existir, se abre.

Trecho inspirado no Capítulo 10 de Vão da Serra — A Vida e Seus Mistérios.

 

✒️ Nelson Abrille dos Santos

 

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